Tornado no Paraná: emergência climática não se responde só com reconstrução — começa com preparação
O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR) no início de novembro não foi um ponto fora da curva.
Foi um retrato em alta definição do Brasil climático contemporâneo: ventos de até 330 km/h, 90% da cidade destruída, 835 atendimentos médicos, 30 hospitalizações (quatro em UTI) e seis vidas perdidas (SIMEPAR, 2025; Defesa Civil-PR, 2025).
O recado é inequívoco: eventos extremos estão mais frequentes, intensos e atingem territórios estruturalmente desprotegidos (IPCC, 2023).
Reconstruir é urgente.
Mas sobreviver ao próximo evento depende menos do valor do auxílio e mais da capacidade de preparação coletiva antes do desastre.
🌪️ O que é um tornado?
Um tornado é uma coluna de vento girando rapidamente que desce da base de uma nuvem de tempestade até o solo, destruindo o que encontra pelo caminho.
Dura poucos minutos, mas tem força devastadora — imagine um “redemoinho gigante” com ventos que ultrapassam 300 km/h.
⚙️ Como um tornado se forma?
Três elementos principais criam o cenário perfeito:
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Ar quente e úmido próximo ao solo (sobe rapidamente).
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Ar frio e seco nas camadas superiores (empurra o ar quente ainda mais alto).
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Ventos em direções e velocidades diferentes, que fazem o ar começar a girar.
Quando esse giro ganha força dentro de uma tempestade intensa, o funil toca o chão — e o tornado nasce.
🌎 Por que acontecem no Sul do Brasil?
O Sul do país é uma região onde:
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o ar quente da Amazônia e do Centro-Oeste encontra o ar frio da Argentina e do Uruguai;
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há grandes variações de temperatura no mesmo dia;
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tempestades se formam com alta energia;
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e os ventos em diferentes alturas se cruzam, criando rotação.
Com o aquecimento global, essas condições se tornam cada vez mais comuns e intensas, pois o aumento da temperatura eleva a evaporação e a instabilidade atmosférica (IPCC, 2023).
Como agir diante de um tornado
1️⃣ Antes: preparar a casa e proteger a comunidade
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Mantenha a estrutura da casa e o telhado em boas condições.
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Pode árvores e evite proximidade com fiações elétricas.
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Retire objetos soltos do quintal.
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Guarde documentos em sacos plásticos, em local acessível.
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Informe a prefeitura sobre árvores em risco.
Preparar não é paranoia. É planejamento comunitário.
2️⃣ Durante: proteger vidas, não bens
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Não se abrigue sob árvores ou estruturas metálicas.
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Feche portas e janelas; desligue água, gás e energia.
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Em áreas abertas, deite-se em valas ou depressões do terreno.
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Proteja a cabeça de objetos projetados.
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Ajude pessoas com menor mobilidade.
A prioridade durante um tornado não é a casa — é quem mora nela.
3️⃣ Depois: atenção aos riscos invisíveis
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Não retorne para casa sem autorização da Defesa Civil.
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Evite contato com fios caídos e comunique as autoridades.
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Saia imediatamente se houver cheiro de gás.
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Não compartilhe informações não verificadas.
O silêncio do vento não significa o fim do perigo.
📞 Canais de emergência
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Defesa Civil: 199
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Bombeiros: 193
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Polícia Militar: 190
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SAMU: 192
Clima extremo não é previsão — é calendário
Entre o vento e os destroços, há uma pergunta que importa mais que todas:
Se tivéssemos duas horas de vantagem, quantas vidas estaríamos contando, em vez de lamentando?
💬 A resposta do ComuniClima
No ComuniClima, essa resposta é a nossa prática diária:
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informação que chega antes,
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comunidade que sabe reagir,
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território que não colapsa sozinho.
Nosso compromisso não é apenas “conscientizar sobre o clima” —
é salvar tempo de resposta, fortalecer redes e proteger vidas.
Porque adaptação que não chega ao chão da cidade não é adaptação — é relatório.
Referências:
BRASIL. Recomendações federais: Tornado – Como agir antes, durante e depois. Defesa Civil, 2021.
IPCC. AR6 Synthesis Report. Genebra: IPCC, 2023.
SIMEPAR. Relatório de eventos severos no Paraná – rajadas de 330 km/h, 2025.
DEFESA CIVIL-PR. Boletim de impacto do tornado em Rio Bonito do Iguaçu, 2025.