🔥 O que são as ondas de calor e por que estão se intensificando
Nos últimos anos, as ondas de calor deixaram de ser exceções e passaram a fazer parte da rotina do país.
Em 2025, só entre janeiro e março, o Brasil enfrentou três episódios consecutivos de calor extremo, concentrados sobretudo no Sul e no Centro-Oeste.
O INMET classificou o verão 2024–2025 como um dos seis mais quentes desde 1961, com temperaturas até 7 °C acima da média.
Esses eventos refletem uma combinação de fatores:
Bloqueio atmosférico: aprisiona o ar quente sobre o território.
El Niño: intensifica o calor.
Efeito urbano: cria verdadeiras “ilhas de calor” nas cidades.
🌍 O que é uma onda de calor?
Imagine que a atmosfera é um cobertor invisível que cobre a Terra.
Durante uma onda de calor, esse cobertor “trava”, impedindo a circulação de ar frio.
O calor fica preso por dias, provocando temperaturas excepcionalmente altas.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o número e a intensidade dessas ondas podem aumentar até 10 vezes nas próximas décadas.
🧠 Como o calor extremo afeta a saúde e o cotidiano
Quando o corpo ultrapassa 40 °C, perde a capacidade de se resfriar — é como se o sistema de ventilação interna parasse de funcionar.
Esse superaquecimento pode causar:
Tontura e desmaios
Desidratação
Confusão mental
Parada cardíaca
Durante ondas de calor, o risco de infarto e AVC aumenta até 50%.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas são as mais vulneráveis.
Mas há também impactos invisíveis: piora do sono, humor, produtividade e saúde mental, especialmente em áreas urbanas sem vegetação.
☀️ Três grandes episódios no Brasil (Verão 2025)
| Período | Região mais afetada | Destaques |
|---|---|---|
| 17–23 de janeiro | Rio Grande do Sul e Centro-Oeste | Temperaturas até 43 °C em Quaraí |
| 2–12 de fevereiro | Sul | Alerta vermelho do INMET e aumento de internações |
| 1–8 de março | Sul e Sudeste | 6º verão mais quente desde 1961 |
Durante esses eventos, governo federal e OPAS ativaram um plano emergencial de resposta rápida para hospitais e escolas.
🏙️ Casos emblemáticos de impacto e adaptação
🌿 Favela da Maré (Rio de Janeiro)
Durante a última onda de calor, a sensação térmica chegou a 60 °C.
Moradores reagiram com telhados verdes e redes de cuidado entre vizinhos.
O resultado: redução de até 10 °C dentro das casas — prova de que a adaptação climática começa no território.
⚖️ Vulnerabilidade e desigualdade
Entre 2000 e 2018, cerca de 48 mil pessoas morreram no Brasil em consequência direta de ondas de calor (UFRJ, 2024).
As mais afetadas: pessoas idosas, negras e de baixa renda — reforçando que o calor extremo é também uma questão de justiça climática.
🚨 Sistema de Alerta e Resposta (Brasil + OPAS)
Em março de 2025, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Ministério da Saúde lançaram diretrizes nacionais para fortalecer protocolos locais — com foco em escolas, abrigos e centros de saúde.
Objetivo: fortalecer reações coordenadas e proteger populações vulneráveis.
🛰️ Como monitorar e agir
O monitoramento climático envolve múltiplas fontes:
Dados de temperatura e umidade (INMET, CPTEC/INPE)
Mapas de anomalias e bloqueios atmosféricos por satélite
Alertas de saúde e energia
Dados comunitários: relatos locais sobre calor, sintomas e microclimas urbanos
➡️ É aqui que o ComuniClima atua: conectando dados oficiais e participativos para fortalecer ações locais e políticas públicas baseadas em evidências.
🤝 Protocolo comunitário: o que fazer antes, durante e depois da onda de calor
🕐 Antes
Cadastre-se nos alertas do INMET e da Defesa Civil.
Identifique moradores vulneráveis e pontos de apoio.
Plante árvores, pinte telhados claros, incentive hortas.
Promova rodas de conversa e oficinas sobre educação climática.
☀️ Durante
Beba água a cada 2 h, mesmo sem sede.
Evite o sol entre 10h e 16h.
Use roupas leves e mantenha os ambientes ventilados.
Em caso de mal-estar, leve a pessoa a um local fresco e ligue 192 (SAMU).
Compartilhe informações confiáveis em grupos e rádios locais.
🌱 Depois
Registre o que funcionou e o que precisa melhorar.
Envie relatos e dados ao ComuniClima para mapear vulnerabilidades.
Planeje ações permanentes: arborização, pintura térmica, cobertura verde.
Celebre quem atuou para proteger a comunidade.
💚 Um convite à solidariedade climática
As ondas de calor são desastres silenciosos — não derrubam muros, mas desgastam corpos e lares.
Enfrentá-las exige colaboração, empatia e planejamento coletivo.
O ComuniClima acredita que cada dado é uma história, e cada história pode virar política pública.
Ao integrar ciência, participação e tecnologia social, queremos transformar o calor em cuidado e a crise em reinvenção urbana.
🌿 Cuidar do clima é cuidar de todos.
📚 Fontes e referências
BRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Saiba como agir em caso de onda de calor. Brasília: Defesa Civil Nacional, 2021.
INMET. Onda de calor: entenda o fenômeno e saiba como se proteger. Brasília, 2023.
CPTEC/INPE. Eventos extremos de temperatura no Brasil. São José dos Campos, 2024.
WHO. Climate change and health: heatwaves. Geneva: World Health Organization, 2022.
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